20 março 2019
Categoria Trade Turístico
20 março 2019,
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BRASÍLIA (DF) 

A ação alegou que os horários de check-in e check-out dos hotéis administrados pela ré violam o Código de Defesa do Consumidor | Fotos Divulgação

Hotéis que oferecem diárias com período inferior a 24 horas não são obrigados a ressarcir os clientes. A decisão, da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça, foi tomada por unanimidade. Os ministros seguiram o voto do relator Paulo de Tarso Sanseverino.

Os ministros discutiram um recurso especial da ITC Administração e Hotelaria LTDA contra acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo – que havia determinado à empresa o pagamento de indenização a consumidores relativa ao período não usufruído nas habitações.

A ação foi movida pela Associação Nacional de Defesa da Cidadania e do Consumidor, que alegou que os horários de check-in e check-out dos hotéis administrados pela ré violam o Código de Defesa do Consumidor por prever a entrada às 15h e a saída ao meio-dia.

A entidade solicitava não apenas a suspensão da cobrança da diária no valor completo, como também a restituição aos hóspedes do valor financeiro correspondente a essas três horas suprimidas.

Recurso

No recurso especial, a rede hoteleira sustentou que a decisão do tribunal paulista violou artigos da lei 11.771/2018 e do Código de Defesa do Consumidor ao fazer uma “aplicação irrestrita” do dispositivo legal “independentemente de sua razoabilidade, dos usos e costumes do setor hoteleiro e do conflito com outros direitos previstos pela legislação consumerista, como a segurança e a saúde do consumidor”. Outro argumento foi de que o “desconto equivalente a 1/24 por hora da diária entre o horário do check-in e do check-out” constitui ofensa ao Decreto 7.381/2010.

Fabíola Meira, professora universitária e sócia coordenadora do Departamento de Relações de Consumo do Braga Nascimento e Zilio Advogados, assevera que a decisão está em consonância com o princípio da harmonização das relações de consumo, na medida em que o estabelecimento necessita de um período para efetuar a limpeza e demais procedimentos para recebimento do novo hóspede.

No recurso rede hoteleira sustentou que a decisão violou Código de Defesa do Consumidor ao fazer uma “aplicação irrestrita” do dispositivo legal

Check in – Check out

“Além disso, é sabido que o hóspede, na maioria das vezes, pode utilizar todas as dependências do local, inclusive piscina, quadras, etc. A maioria dos hotéis permite o uso de áreas comuns, disponibiliza local para guarda de bagagens antes do check in e até mesmo após o check out, ou seja, não é proibida a entrada do hóspede no hotel. A ilicitude estaria no fato de o hotel não informar clara e previamente os horários de check in e check out ou não cumprir tais horários, atrasando a disponibilidade do quarto, por exemplo”, esclarece Fabíola.

Sylvie Boechat, coordenadora na área de Contencioso Cível Estratégico do Rayes & Fagundes Advogados, diz que quando hotéis e pousadas estabelecem que a primeira diária de hospedagem se inicie às 15 horas (check-in), fixando o horário de saída para 12h (check-out), não estão agindo abusivamente, nem roubando do cliente “três horas de uso” do quarto, em uma suposta afronta ao artigo 23, parágrafo 4º da Lei 11.771/2008. Entre a saída de um hóspede e a ocupação por outro, diversos serviços são realizados durante o período em questão, favorecendo o cliente que chega e o que sai, diz ela.

“Cliente que chega no horário indicado (15h horas) contará com maior tranquilidade para realização do check-in”, diz advogada

“O que desocupa a unidade, o pode fazer de forma tranquila, com tempo hábil para a verificação dos quartos, fechamento das contas e poderá contar com outros serviços eventualmente oferecidos, como o desfrute de depósito de bagagens, uso de serviços de rede móvel, permanência em bar e restaurante, etc, além de ser razoável se estabelecer um prazo que contemple situações de atraso na desocupação do cliente anterior”, ressaltou.

“Por outro lado, o cliente que chega no horário indicado (15h) contará com maior tranquilidade para realização do check-in, evitando tumulto com o que deve sair, e contará com o recebimento do quarto desocupado, devidamente limpo e higienizado, também podendo desfrutar de outros serviços do hotel”, analisa.

Para ela, não há, de fato, qualquer afronta ao consumidor ou desequilíbrio na prática usual nos serviços de hospedagem, tanto no Brasil e no mundo, de fixação de horas necessárias para tais trâmites de check-in e check-out. de acordo com a advogada, tais horas abrangem serviços e/ou vantagens postos à disposição dos clientes.

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One response on “STF decide que diárias menores que 24h em hotéis podem ser cobradas integralmente

  1. Edison disse:

    Obrigado pela informação.Muito útil

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