16 março 2019
16 março 2019,
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RAÍSSA BARROS | @raissabarros

Vamos lá, eu conheci Jeri em 2016 e simplesmente me apaixonei pela mágica daquele lugar, porém, como fica há quatro horas e meia de Fortaleza e não tem acesso fácil, na época optamos por ficar três dias em Jeri pra compensar a longa viagem. Nessa época, uma pequena parte da viagem era feira em Van, mas a maior parte era em pau de arara. Enfim, deu tudo certo (em 2016 rs).

Agora estamos em uma pausa aqui em Fortaleza (uma tarde e dois dias inteiros). No horário que chegamos no almoço, não tinha mais saída de passeios em grupo e pagar o transfer particular seria muito caro (cerca de 500 reais apenas pra ir)

Optamos por fazer o bate volta de um dia, pagamos 120 reais (por pessoa), onde a maior parte do passeio foi feita em ônibus executivo, onde estivemos bem confortáveis (quando chega próximo a Jeri, o pau de arara voltou a ação). O passeio incluía a Lagoa do Paraíso, Pedra Furada e Árvore da Preguiça e ao fim do dia uma visita à vila de Jeri, para ver o pôr do sol. Estes são os pontos turísticos mais conhecidos de Jeri e apesar de já conhecermos, meu objetivo era voltar à Lagoa do Paraíso e ver o pôr do sol depois nas dunas.

Saímos do nosso hotel às 4h15 da manhã e apenas às 11h15 chegamos no primeiro ponto turístico.

Meu passeio começou a ser estragado nesse momento, peço que deem um Google na Lagoa do Paraíso. Todas as referências que temos mostram as fotos do The Alchymist Beach Club, aquele lugar lindo, com uma super estrutura. Antes, todos os passeios que eram feitos para a Lagoa do Paraíso iam apenas para lá.

Surpresa desagradável

Porém para minha surpresa, a agência que contratei me levou para outro ponto da lagoa, que não tem nada comparado à estrutura do Alchymist, lugar que todo mundo sonha tirar foto quando está pesquisando uma viagem para Jeri (eu já fui, mas eu queria voltar, ué).

Foi uma longa discussão com o guia que tentou defender a agência, porém não havia defesa, o vendedor mostrou a foto para nós, do lugar que eu queria ir, e disse que ficaríamos lá (ele mentiu, fez aquilo apenas pra vender o pacote).

Soube que isso vem sendo uma prática comum, pois sabem que as pessoas querem ir para o outro ponto da lagoa, mas mostram fotos e falam de outro lugar. E na hora simplesmente não levam o turista. A pessoa que não conhece fica confusa, mas no fim aceita.

Mas eu conhecia e sabia exatamente que eu estava sendo lesada. Onde nos levaram, era bonito, mas os próprios guias e o funcionários do local de onde estávamos admitiram que realmente o outro lugar era melhor.

Ficamos lá até às 13 horas e almoçamos ali. Foi vendido um pacote adicional, dito por eles como “imperdível”, que teve um custo extra de 30 reais por pessoa para irmos conhecer a Lagoa do Amor e a Barraca do Cabaré, na praia do Preá.

Cilada atrás de cilada, eu bem já conhecia a Lagoa do Amor e sabia que não tinha nada demais, ainda mais comparada à Lagoa do Paraíso. Mas o guia estava dizendo que esse tal de cabaré era top top top e que não dava para perder, que era o auge da viagem. Ao chegar nesse tal “cabaré” na praia do Preá, socorro, andamos um monte para um lugar super nada a ver. Enfim, não indico de forma alguma passeios adicionais dentro do seu bate e volta, você vai gastar tempo e dinheiro que você realmente não deveria gastar.

Árvore da Preguiça

Porém, voltando ao que eu tinha contratado, ainda faltava ir à Árvore da Preguiça e o passeio na Pedra Furada. Por volta das 14 horas começamos a sentir levemente o cansaço de tanto anda anda atrás de coisa.

Enfim, fomos à Árvore da Preguiça, é realmente uma bela obra da natureza ver aquela árvore linda caída, é meio bobinho, mas é ponto turístico bacana que registrar o momento.

Depois disso, era o momento de ir até a Pedra Furada, que realmente nada mais que é do que uma pedra enorme com um furo no meio. O lugar é bonito? É sim, as fotos ficam legais, da para variar nas situações, é até inusitado. Porém, lembre-se que você está no Nordeste, num calor de torrar qualquer um. Você leva 40 minutos pra ir e 40 pra voltar em um local íngreme que possui restrições a diversas pessoas.

Muitos dos turistas que estavam com a gente  já conheciam o local, então não quisemos ir. Um casal que estava com a gente e que ainda não conhecia o guia disse a eles: “o passeio da Pedra Furada é uma grande furada”. Ainda mais se você considerar que o objetivo deste texto é descobrir se vale a pena ou não fazer o bate volta.

Cobrança ilegal

Como não íamos para o passeio da Pedra Furada, eles então nos deixaram na vila em Jeri, para esperar o pôr do sol. Quando falo deixar, é deixar mesmo, sem nenhum ponto de apoio nem mesmo pra fazer xixi. Fomos deixados na vila em Jeri às 15h15, com um sol de matar, sem saber exatamente para onde ir. As barracas de ponto de apoio cobram absurdo, a mais barata custa 30 reais e não tem nem banheiro.

Algumas cobram um valor mínimo de 100 reais de consumação, o que é muito e totalmente ilegal, considerando que eu estava ali apenas para esperar o pôr do sol para ir embora. Pois eu sou do tipo que pergunta e vai atrás do que quer. Eu estava determinada a encontrar um lugar bem estruturado e que eu pagasse apenas meu consumo.

A missão foi difícil, mas por fim, encontrei um único lugar que me indicaram nessas condições, a barraca do Capitão Thomás. Lá não cobravam consumação mínima, nem nada, apenas um couvert artístico de 4 reais, que foi cobrado fora do que consumimos. Nem os 10% foi sugerido pagar, quem sugeriu foi meu esposo, por cortesia à felicidade de termos encontrado aquele lugar (além do banheiro, tem ducha, o que foi um enorme alívio).

Por do sol

Próximo da hora do por sol (informado pela internet) fomos caminhar para as dunas onde todos vão ver o pôr do sol na vila em Jeri, é com certeza um espetáculo à parte, eu fiquei apaixonada a primeira vez que vi. Enfim, esperando esperando e o sol estava tímido, não conseguimos ver ele se pondo.

Rolou um transtorno no fim do dia, de má comunicação, que atrasou nosso retorno em 1 hora e meia. Na correria para o nosso transporte (o pau de arara) chegar até o ônibus, porque ele estava dirigindo super rápido em um lugar de difícil acesso, o pneu furou e ele não tinha step, pelo menos isso foi rápido, em cerca de 10 minutos outra pessoa chegou com outro pau de arara e seguimos até o ônibus.

Chegamos no ônibus às 19h30, com previsão de chegada em Fortaleza a 00:30. Porém vocês se lembram que almoçamos às 12h00? Eles não fazem parada para jantar na volta, então se você apenas almoçou como fiz, é provável que você só consiga comer de novo quando for por volta de 1h00 da manhã, voltando cansado, estressado, de uma viagem longa, morto de fome.

Absurdamente linda

Eu sei que o texto pode ter feito parecer tudo horrível, mas não é. Jeri é absurdamente linda e nossa experiência nos fez chegar à conclusão de que, bate e volta do jeito que fizemos não compensa, mas um bate e volta sabendo de tudo isso, consciente para você se programar? Talvez valha a pena. A menos que vocês estejam em quatro pessoas e dê pra alugar um 4×4 e dividir pela quantidade de pessoas um transporte particular, o passeio em grupo ainda é sua melhor opção.

Não tem problema fechar o pacote que eu fechei (não na mesma empresa 🙄), mas converse com a agência e deixe claro que seu objetivo é ir à barraca do Alchymist. Vocês pagam 20 reais para entrar, mas vale a pena, eu garanto.

Não aceite opções adicionais que só vão te cansar e não valem a pena, e na real, eu indico que você economize o tempo da Pedra Furada para curtir a vila de Jeri.

Procure a barraca que eu indiquei (se tiver outras que não cobram absurdos, comenta com a gente), curta muito a belíssima praia, veja o pôr do sol (apenas garanta que seu guia não é doido rs), seja esperto, compre algo pra você comer na viagem de volta, que você vai chegar cansado mas feliz de conhecer aquela maravilha.

Observação: Agora é cobrada uma taxa de turismo de 5 reais o dia, onde não aceita dinheiro mais, apenas cartão de crédito ou débito. Você pode fazer isso pessoalmente ou no site da prefeitura de Jijoca.

Raíssa Barros  é Advogada e apaixonada por comunicação

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