29 julho 2018
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TEXTO E FOTOS: REGINALDO PUPO

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Embarcações de recreio que farão os passeios no entorno do arquipélago somente poderão navegar com autorização do ICMBio

São Sebastião (SP) – O Arquipélago dos Alcatrazes, localizado a 45km do porto de São Sebastião, que por décadas foi alvo de exercícios de tiros realizados pela Marinha do Brasil, será aberto para a exploração turística nas próximas semanas e passará a ser a primeira reserva marinha de vida silvestre a ser aberta à visitação pública

Alcatrazes poderá ser explorada por agências para a prática de mergulho e contemplação de aves e contribuirá para o fomento do turismo náutico

Agora batizado de Refúgio dos Alcatrazes pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o maior ninhal de aves marinhas do Sul e Sudeste brasileiro poderá ser explorado por agências de turismo para a prática de mergulho amador e contemplação de aves e contribuirá para o fomento do turismo náutico entre Angra dos Reis (RJ) e Guarujá (SP), trecho da região Sudeste que concentra milhares de embarcações de passeio. A visita terrestre ao arquipélago, porém, continuará proibida, assim como qualquer tipo de pesca.

Segundo a coordenadora de Uso Público – Núcleo de Gestão Integrada do ICMBio Alcatrazes, Thaís Farias Rodrigues, as operadoras turísticas foram cadastradas pelo órgão e os guias passaram por treinamentos e qualificação, nos quais receberam informações básicas sobre o local e conhecimentos sobre o plano de manejo, que cria regras para a exploração turística.

Os curros foram ministrados pela Fundação Cultural e Educacional (Fundacc) de Caraguatatuba, Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo (Cebimar-USP), do Laboratório de Biologia e Conservação Marinha da Universidade Federal de São Paulo (Labecmar-Unifesp), da National Association of Underwater Instructors (Naui), do Instituto Argonauta de Ubatuba e da Marinha do Brasil.

Contudo, as embarcações de recreio que farão os passeios no entorno do arquipélago somente poderão navegar com autorização do ICMBio e a quantidade deverá ser limitada a 10 barcos em cada extremidade do arquipélago. “Manteremos uma equipe para fiscalizar eventuais abusos que, se ocorrerem, resultarão em multas e apreensão das embarcações”, afirma Thaís. Segundo ela, na alta temporada, poderá haver um rodízio para que a quantidade de 10 barcos seja respeitada.

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Após ser alvo de bombas, fauna e flora
sofrem com ameaças de extinção

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Ainda é possível observar alvos pintados pela Marinha em diversos pontos 

Desde a década de 90, ambientalistas vinham solicitando a transformação de Alcatrazes em um Parque Nacional Marinho, no auge dos exercícios de tiros da Marinha, que provocaram diversos protestos de ambientalistas e do Greenpeace.

Por décadas, diversas ilhas do arquipélago se transformaram em alvos da Marinha do Brasil, que durante os exercícios de tiros, atingiam ninhais de aves e provocavam até focos de incêndio. A Marinha justificou, à época, que o Arquipélago dos Alcatrazes era a região mais próxima para as manobras militares, pois a mais próxima estaria na América Central.

Após anos de discussões entre o governo federal e ambientalistas, sem êxito, o movimento passou a cobrar a recategorização do lugar para transformá-lo em um santuário ecológico marinho, com a esperança de que o lugar fosse preservado dos exercícios militares da Marinha.

Os exercícios da Marinha continuam, mas numa escala menor. As bombas, agora, são direcionadas aos alvos instalados na Ilha da Sapata, que possui menos vegetação.

Somente no ano passado o plano de manejo do agora Refúgio de Alcatrazes foi concluído e levou oito meses para ser publicado, o que ocorreu em janeiro deste ano.

Ameaças de extinção

Alcatrazes se destaca pela quantidade de aves que vivem ou apenas descansam por ali. Mais de 100 espécies foram catalogadas

As ilhas que compõem o arquipélago totalizam uma área de 67.364 hectares, sendo a maior unidade de conservação marinha de proteção integral das regiões Sul e Sudeste país e a segunda maior do Brasil.

Já foram catalogadas mais de 1,3 mil espécies de flora e fauna, sendo que 93 delas estão sob algum grau de ameaça de extinção. Ao menos 259 espécies de peixes estão protegidas, número superior a Fernando de Noronha (PE).

Os turistas que visitarem o Refúgio de Alcatrazes, com sorte, poderão observar as frequentes aparições de baleias, que nesta época do ano passam pelo arquipélago, já que está no meio da rota delas, além de milhares de golfinhos. As baleias mais comuns são as baleias-de-Bryde e as jubartes. Já foram registradas 465 espécies de invertebrados bentônicos, pelo menos 60 espécies de invertebrados terrestres e 64 espécies de macroalgas. Há três espécies endêmicas (que somente existem em Alcatrazes) de animais: a jararaca, a perereca e a rã de Alcatrazes, esta última extremamente ameaçada de extinção, segundo o ICMBio.

O Refúgio dos Alcatrazes se destaca pela quantidade de aves que vivem ou apenas descansam por ali. Mais de 100 espécies foram catalogadas, sendo que 37 são residentes, entre aves oceânicas, insulares costeiras, migrantes de longo percurso (praieiras), aquáticas costeiras, terrestres e florestais. Ainda segundo o ICMBio, 12 dessas aves são ameaçadas de extinção, sendo que seis são residentes, dependendo exclusivamente de Alcatrazes para procriação.

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